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Tua até a primavera

Eu sou tua, quando vejo no espelho o brilho dos meus olhos, todas as vezes que o pensamento foge para estar contigo;

Eu sou tua, sempre que acordo no meio da noite, vinda de um sonho onde estavas presente;

Eu sou tua, todas as vezes que celebro as pequenas vitórias do dia-a-dia, porque sempre disseste que eu seria capaz de o fazer;

Eu sou tua quando sorrio, porque tenho a sensação de ter te ouvido sorrir também;

Eu sou tua até quando estou triste, porque era aninhada ao teu peito que eu fugia das malignidade da vida;

Mas eu só serei tua até a primavera, pois uma chama não dura sem ser alimentada.

Então, deixarei de ser tua quando desfrutar de passeios graciosos pelas ruas da minha cidade;

Já não serei tua, quando o brilho nos meus olhos for resultado do meu amor próprio;

Já não serei tua, quando nos meus sonhos a tua presença nunca mais será sentida;

Já não serei tua, quando ao meu lado tiver outras pessoas para celebrar as minhas pequenas vitórias;

Já não serei tua, quando não conseguir me lembrar do timbre da tua voz.

Neste dia, serei minha em plenitude e contentamento, pois terei renascido do fosso onde soltaste a minha mão.

Neste dia compreenderei que as dores ensinam as mais valiosas lições. As lágrimas que derramei, e que caíram aos meus pés, serviram para nutrir o meu enraizamento ajudando a me tornar mais forte.


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