Arte
- Lady Bird

- 3 de dez. de 2025
- 1 min de leitura
Há um silêncio que me acompanha.
Um silêncio que não pedi, mas que insiste em ficar.
E dói suportá-lo.
Dói caminhar sozinha quando tudo o que eu mais queria era uma mão entrelaçada na minha,
um passo ao meu lado,
uma respiração que me lembrasse que a vida não se faz apenas de resistir, também se faz de partilha.
Tenho deixado as defesas em baixo, as portas abertas,
com a cautela que razão pede.
As respostas não chegam, ou chegam pela metade.
Outras vezes chegam e se vão.
No meio do processo comecei a perceber um sussurro.
Não era sobre desistir.
Era para olhar para dentro e perceber que:
A dor de suportar a minha própria companhia, cria belez. Cria arte. Cria sentido.
Há algo profundamente poético em estar sozinha:
Coragem. Força. Resiliência. Ternura.
A solidão é matéria-prima.
É barro nas mãos.
É tinta na tela.
Palavras no na folha.
O amor tarda para que eu tenha tempo de transformar o silêncio em
música, poesia, emoção.
Esta versão minha que sobrevive ao silêncio cresce e renasce a cada dia.
E isso, por si só, já é uma história.
Uma obra de arte em construção.




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