Train Dreams
- Lady Bird

- há 2 dias
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O filme conta a história de um lenhador que leva a vida de forma serena, mas com muita dificuldade, passando pelo amor e perda, numa era de mudanças monumentais na América do início do século XX.
É um filme que fala de movimentos silenciosos: partir sem saber exatamente para onde, de ficar tempo demais onde já não se pertence, de carregar sonhos, dores, perdas, amores. Para mim, os comboios no filme representam a ligação de um sítio para outro quando se decide mudar de vida, ou também quando se decide regressar ao mesmo lugar, pois falta a coragem de aceitar a mudança.
O personagem luta muito na vida, para ter pouco: poucos dólares para sobreviver, pouco tempo com a família. Acaba por perder a família e fica anos a espera que voltem, numa vida melancólica e solitária. Torna-se uma espécie de eremita que tenta perceber o que ainda faz por cá. A medida que os anos vão passando, de comboio ele visita a cidade, apercebe-se das mudanças no mundo e deixa-se vivenciar algumas delas, sem nunca esquecer o passado vivido de forma simples na floresta, onde numa noite de sono morre em 1968.
A minha vida agora parece estar neste mesmo cais, não é drama de ir, mas é o peso de ter ficado demasiado tempo onde eu já não cabia mais. Fui fiel, resistente, aguentei mais do que era justo. Isso nos envelhece por dentro e quando olhamos em frente parece que já não sobre muito tempo para se recuperar aquele tempo perdido.
Os sonhos, tanto no filme como na mina vida não são grandiosos, são simples: paz, amor, conexão, dignidade, afeto, atenção. E é por isso que doem, porque não pedem muito, apenas pedem verdade.
Mais um ano, mais um comboio, ele não garante conforto e nem certezas. Garante apenas movimento o que, por vezes, já é cura. Eu não sei para onde vou, mas, como no filme, há algo que eu já sei com clareza: não é aqui, não é assim. E isso, por si só, já é um começo.




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