As Pontes de Madison County
- Lady Bird

- 4 de dez. de 2025
- 2 min de leitura
De alguma forma eu me reconheci neste filme, sobretudo nestes últimos dias em que tive que tomar uma decisão que continha uma virada de chave na minha vida. Este filme é um espelho limpo e cruel, onde refletem escolhas, renúncias, encontros breves que mudam tudo e despedidas que deixam marca para a vida inteira.
A protagonista vive uma vida estável, silenciosa e encaixada nas expectativas sociais. Até ao dia em que ela conhece alguém que desperta aquilo que ela julgava estar adormecido: o brilho, o espanto, o fogo, o sonho, o ser vista, ser desejada. Aquele encontro durou o tempo necessário para acender uma verdade. Depois vem o peso da decisão.
Também eu tive decisões importantes na minha vida, em que eu tive de saltar, apenas saltar sem saber se havia uma rede de segurança para amortecer a queda, caso eu caísse. Enquanto me sentia jovem, eu saltei algumas poucas vezes e a vida continuou a acontecer. Recentemente eu senti uma ligação forte, que abriu janelas dentro de mim que eu nem sabia que estavam fechadas. Foi breve, mas foi intenso e real, e foi desafiador, tal como eu gosto. O tipo de verdade que nos faz olhar de forma diferente para nós mesmas, para o que desejamos e para o que merecemos.
Também eu fui confrontada com a ponte sobre aquilo que sinto e o que a vida me devolve. Entre o que poderia ser e o que realmente é. E aqui há despedidas que não pedem permissão, há decisões que se impõem e há coragens que só aparecem depois do adeus.
O que fica é a lição de que um encontro que pode ser curto, mas ter a força de mudar um destino. Pode não mudar por fora, mas transforma por dentro. O caminho continua, mesmo que um ponto de interrogação fique pelo meio dele.
Há pontes que atravessamos só uma vez, mas há outras que levamos connosco para sempre.




Comentários