Rejeição
- Lady Bird

- 13 de set. de 2025
- 2 min de leitura
O facto de ter sido marcada pela rejeição desde muito cedo, fez com que eu transformasse a busca por respostas em algo incessante. Durante muito tempo eu fiquei paralisada, sem saber de onde vinha esse vazio e essa falta de amor do próximo para mim, pelo menos aquilo que eu entendo como amor. É que sempre houve alguém mais interessante, mais bonito, mais simpático, mais qualquer coisa que fazia com que eu ficasse com um prémio de consolação. Mas eu não entedia de onde vinha esse padrão, porque hoje eu sei que esse tipo de comportamento é algo que eu atraio naturalmente até que eu consiga me curar verdadeiramente por dentro. Por hora estou na fase de compreender.
Agora eu corro atrás, quero apreender, quero respostas. Aquela dor serviu de combustível para esta busca. Ainda hoje eu sou sempre trocada por alguém: um filho, um sobrinho, um amigo, um programa melhor.
Não ter tido a experiência segura de ser amada de forma incondicional criou uma ferida que fez com que o amor, quando aparece, nuca pareça sólido ou suficiente. É como se houvesse sempre uma dúvida: e se amanhã já não estiver lá? E isso traz um peso: a incapacidade de descansar no amor. Quando sinto carinho, logo antecipo que pode acabar, isso rouba a paz de viver o momento. No fundo a questão que ecoa é: será que eu algum dia vou conseguir sentir-me amada de forma estável, sem medo de perder?
Se tivesse como abrir a minha cabeça com um machado para meter lá dentro a compreensão de que não ter recebido o amor necessário nunca foi culpa minha. Eu sou assim porque precisei sobreviver assim. Quando alguém se afasta ou não corresponde como eu espero, a dor da infância reaparece como se fosse igual.
Então aprender a separar o presente do passado é o meu maior desafio, e também a minha maior oportunidade.




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