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O amor

Quando eu era jovem, eu idealizava o amor como sendo o sentimento mais primordial de todos.

Eu achava que só amar bastava.

Que era suficiente para desfazer mal entendidos.

Que era o único caminho para a felicidade.

Que nunca causava dores emocionais.

Que nos arrebatava.

Que nos acolhia e aquecia.

Que era o objetivo principal da nossa jornada.

Agora, mulher adulta que sou, tenho descoberto que afinal só o amor não é o suficiente para nos preencher.

É preciso muito mais para além dele.

É preciso haver reciprocidade.

É preciso haver compreensão.

É preciso haver verdade.

É preciso haver entrega.

É preciso haver diálogo.

É preciso haver equilíbrio.

É preciso haver admiração.

Isto tudo porque somos demasiados complexos para conseguir fazer dar certo sempre. Trazemos uma bagagem emocional grande e, por vezes, é difícil lidar com ela e com a do outro. Outras vezes deixamos nos dominar pelo nosso ego, que nos faz enxergar apenas o nosso orgulho ferido, apenas as palavras amargas do outro é que ressoam na nossa mente (ditas em um momento de insanidade).

Mas toda a experiência serve de aprendizado e aprimoramento. E mesmo que dê errado, devemos seguir tentando. Porque amar é sublime e mesmo que nos deixe desgostosos, quando corre mal, só o facto de termos a possibilidade de andar nas nuvens vai valer à pena.

Mesmo não sendo o suficiente para nos preencher, é o ideal para nos desnudar.


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