Comer, orar e amar
- Lady Bird

- 30 de nov. de 2025
- 3 min de leitura
Encontro-me emm um ponto na vida que percebo que estou acomodada e incomodada: com o trabalho, com os relacionamentos, com a alimentação e, sobretudo, com a minha visão de futuro. Tenho vindo a viver no piloto automático, mas chegou a hora de ser brutalmente honesta comigo mesma, e esse é o primeiro passo para a transformação: a coragem de admitir que a vida que tenho não é a vida que quero.
Comer
A atual fase de reconstrução revela um princípio essencial: para construir uma visão mais saudável de mim, devo redefinir e permitir o prazer. O prazer genuíno não é a satisfação impulsiva (o fazer ou comer "o que quero"), que se revela, no fundo, uma auto punição disfarçada de liberdade. A verdadeira satisfação surge após aplicar o auto cuidado responsável, seja nas escolhas que coloco no prato ou nas pessoas que integro na minha vida. É aqui que o meu corpo e a minha alma encontram a nutrição de que necessitam, indo além do mero "funcionar" ou "estar correto", assentando em decisões sensatas.
O caos tem estado instalado na minha casa, na minha despensa, no meu frigorífico... Depois que eu encontrar o caminho do auto cuidado, depois que eu definir o que é saudável fazer, aí sim, depois posso me permitir sentir prazer para comer sem culpa.
Orar
A cura profunda exige confronto interior. Por diversas vezes me tem passado pela cabeça abandonar tudo e mudar de cidade, na tentativa de deixar para trás todas as culpas, feridas, arrependimentos e ruídos mentais. Mas não é fugir para longe que isso se resolve, e sim ficar quieta o suficiente para apenas ouvir. O trabalho aqui foca-se na cura do meu amor-próprio e nos meus desafios com a minha criança interior. É preciso entrar no meu "ashram interno" (que é um espaço de prática e disciplina espiritual que existe dentro de nós, é o nosso próprio corpo, mente e alma enquanto templo e lugar de prática espiritual.)
Isto implica que a minha jornada de autoconhecimento e desenvolvimento não depende apenas de um lugar físico ou de um retiro, mas sim da minha atitude interior e da disciplina diária. O meu corpo e a minha mente deverão ser o templo onde o. meu espírito reside. A minha intuição deve funcionar como um guru interno que me guiará. As práticas de meditação, atenção plena e serviço desinteressado devem funcionar como rotina diária. Por tanto, não existe um "lugar ideal" para a começar uma nova jornada, porque ela deve começar de dentro para fora.
Amar
Depois de todo esse processo acima estando equilibrado, depois que eu perceber que não tenho que provar nada a ninguém, não tenho que fugir de nada, então, encontrarei um amor diferente e ideal para mim: que nasce da calma e não da carência. O amor por mim e pelo outro.
Eu mereço alguém que tenha maturidade, reciprocidade, presença e amor ser urgência. O amor verdadeiro não chega quando precisamos dele para tapar feridas. Quando ele chega, nós já temos chão. Mas admito que ele possa chegar enquanto estamos a criar o nosso chão, pois ele vem para somar e não destruir com ilusões, expectativas quebradas, atitudes que nos diminuem.
O caminho pode não ser linear, mas é sempre verdadeiro, eu costumo dizer que é "um mau pedaço da estrada certa, logo a seguir vem a parte que está asfaltada". Passarei por rupturas, recaídas, dúvidas, momentos de clareza e reencontros comigo própria. Durante a minha vida, com o processo de perda de peso, com amor, com trabalho tenho tido avanços e recuos e isso faz parte do processo. A vida recompensa quem tem coragem, mudar tudo pode nos dar de presente uma nova versão de nós mesmos.
O filme que deu origem a este texto, lembra-nos que:
Não é preciso ter tudo resolvido para começar;
A cura exige presença;
O amor verdadeiro chega quando já não estamos desesperados por ele;
Transformar-se é um acto de coragem, não de perfeição.
Ultimamente tenho vivido algumas decisões de corte têm sido difíceis de sustentar, dolorosas, mas eu acredito que o que vem a seguir pode ser mais alinhado com aquilo que quero e mereço.




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