Autoamor
- Lady Bird

- 22 de dez. de 2021
- 3 min de leitura
Com o aproximar do novo ano, é normal sentirmos a necessidade de projetar os nossos desejos, acreditando que o próximo ano traz todas as resoluções dos nossos problemas. Acontece comigo de sentir uma grande esperança e a certeza de que algo vai mudar no próximo ano. Normalmente nada muda. Mas, para haver mudanças eu tenho que trabalhar por elas. Não basta apenas fechar os olhos, lançar o desejo e ficar de braços cruzados ao longo do ano.
Para 2022 eu tenho quatro grandes objetivos: cultivar o autoamor, melhorar a minha condição física, melhorar a minha condição financeira e trabalhar no meu autoconhecimento. Mas dentre estas quatro, uma se destaca: o autoamor. Este vai ser o foco do meu novo ano.
Não importa o que me custe ou quem me custe, eu vou me colocar em primeiro lugar. Vou determinar limites e não vou permitir que ninguém os ultrapasse. Uma terapeuta me ensinou um exercício simples e fácil: toda vez que alguém se comportar de forma menos boa para comigo, eu devo me perguntar “O que faria uma pessoa que se ama nesta situação?” e agir em conformidade.
Lembro de um ensinamento transmitido pelo meu pai. Ele me dizia: “primeiro nós, segundo nós, terceiro nós, quarto se sobrar de nós”. O “nós” no caso era a família. A minha mãe fazia de tudo pelas pessoas da rua, se fosse preciso tirava a roupa do próprio corpo para dar. O meu pai achava isso mal, porque na altura que fosse ela a precisar ninguém se apresentaria. Só tomei o ensinamento dela, e este ano passei por uma situação de necessidade e poucos, daqueles que ajudei, se apresentaram de forma verdadeira. Não estou sendo aqui contra a caridade, isto é diferente. Só estou aqui a mostrar que na nossa vida há pessoas que nos cercam que tem a habilidade de sugar tudo o que podem de nós, e não são só valores monetários.
Não quer isto dizer que deixarei de ser gentil com as pessoas, apenas serei mais assertiva sobre o que me incomoda e isto inclui eu própria. Devo abandonar frases que me deixem para baixo e devo me amar mais.
Outro terapeuta me ensinou um exercício para o cultivo da minha autoestima: olhar para um espelho e ser grata por cada parte do meu corpo, me aceitar e sentir o verdadeiro amor que tenho guardado para mim, ele está lá como uma chama divina. Jesus ensinou, “ama o teu próximo como a ti mesmo”. Como posso amar o próximo, sem cultivar o amor por mim? É dentro de nós que tudo começa: “…ti mesmo”.
E assim termino com o maravilhoso texto de Charles Chaplin, que sintetiza, de forma linda, alguma coisa do que eu quis dizer no meu texto e toda a intenção que levo para o novo ano.
‘Quando me amei de verdade’, Charles Chaplin
Quando me amei de verdade, compreendi que em qualquer circunstância eu estava no lugar correto e no momento preciso. E então, consegui relaxar. Hoje sei que isso tem nome… Autoestima.
Quando me amei de verdade, percebi que a minha angústia e o meu sofrimento emocional não são mais que sinais de que estou agindo contra as minhas próprias verdades. Hoje sei que isso é… Autenticidade.
Quando me amei de verdade, deixei de desejar que a minha vida fosse diferente e comecei a perceber que tudo o que acontece contribui para o meu crescimento. Hoje sei que isso se chama… Maturidade.
Quando me amei de verdade, compreendi por que é ofensivo forçar uma situação ou uma pessoa só para alcançar aquilo que desejo, mesmo sabendo que não é o momento ou que a pessoa (talvez eu mesmo) não está preparada. Hoje sei que isso se chama… Respeito.
Quando me amei de verdade, me libertei de tudo que não é saudável: pessoas e situações, tudo e qualquer coisa que me empurrasse para baixo. No início a minha razão chamou essa atitude de egoísmo. Hoje sei que isso se chama… Amor por si mesmo.
Quando me amei de verdade, deixei de me preocupar por não ter tempo livre e desisti de fazer grandes planos, abandonei os megaprojetos do futuro. Hoje faço o que acho correto, o que eu gosto, quando quero e no meu próprio ritmo. Hoje sei que isso é… Simplicidade.
Quando me amei de verdade, desisti de querer ter sempre razão e, com isso, errei muito menos. Assim descobri a… Humildade.
Quando me amei de verdade, desisti de ficar revivendo o passado e de me preocupar com o futuro. Agora me mantenho no presente, que é onde a vida acontece. Hoje vivo um dia de cada vez. E isso se chama… Plenitude.
Quando me amei de verdade, compreendi que a minha mente pode me atormentar e me decepcionar. Mas quando eu a coloco a serviço do meu coração, é uma aliada valiosa. E isso é… Saber viver!




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