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A minha fome emocional

Hoje estou acima do meu peso ideal e tem sido assim desde os meus 20 anos de idade (com aumentos e perdas).

Eu nunca fui daquelas crianças que comia bem, pelo contrário, eu chorava para não comer. Muitas vezes eu era obrigada a ficar horas sentada à mesa com o prato à minha frente até que eu comesse. Há 44 anos era assim que se educava na minha terra, hoje em dia já há médicos que defendem que não devemos obrigar as crianças a comerem. Para além disto eu tomei muitos medicamentos que tinham por função abrir o meu apetite.

O meu apetite só foi aparecer após no período da adolescência, quando eu tive que começar a tomar decisões da vida adulta, ainda meio perdida e ainda com um pé na adolescência. E na verdade, o que se passava foi que eu dei de caras com a fome emocional. A minha cabeça estava confusa, cheia de perguntas sem respostas, cheia de sonhos cor de rosa, medos, expectativas sobre mim, etc... isto tudo junto, ao mesmo tempo me faziam comer a dobrar e tudo o que via à minha frente. E foi assim que eu me habituei a curar as minhas frustrações e ansiedades: com uma bela guloseima pela frente. Depois vinha o "depois" que é tão terrível quanto o "antes", porque vem um sentimento de culpa e derrota que me deita ao chão.

Tem sido assim até hoje.

O curioso é que a fome emocional não aparece só quando estou em baixo, quando estou alegre também aparece. Comer é uma desculpa para "comemorar" algum feito. E mesmo assim, após me lambuzar com que o não devia, a culpa aparece para estragar a festa.

Já fui há muitos nutricionistas, já tive personal trainer, já fui a psicólogos, e nada ajudou, ou pelo menos só funcionou temporariamente. Isto tudo me fez chegar a conclusão de que, por muito que eu vá buscar ajuda exterior, 90% do trabalho tem que ser feito dentro de mim. Eu tenho que aprender a controlar as minhas emoções, principalmente a minha ansiedade. Sou eu a única responsável por virar essa chave.

Tenho me dedicado à leitura deste tema e já concluí que a meditação pode ser uma ferramenta muito útil. Desligar de tudo por alguns minutos ajuda a acalmar. Mas desligar é difícil neste mundo cheio de urgências e distrações. Mas é claro que se eu nunca começar, eu nunca vou saber se isto vai realmente me ajudar.

Semana passada eu tentei fazer isso um dia, não fiz nem por 2 minutos, estive a lutar contra a minha mente, para que ela se calasse, tentei ficar atenta à minha respiração, ao que eu sentia nas mãos, pés, e toda a parte do corpo que tivesse a tocar uma superfície onde eu estava. Bem sei, que devo insistir e vou fazer. Vou usar o tempo que costumo gastar nas redes sociais. Já comecei por desinstalar o facebook e o Instagram.


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Eu não sei se eu descobri o meu caminho para resolver este problema, mas por agora é por aqui que eu vou andar. Desde que comecei, ou melhor, recomecei, não tem sido fácil. Mas eu imagino que quando começamos um plano de cura, a primeira etapa é tomar a decisão de querer se curar. Sem grandes expectativas, sem grandes planos, apenas dando passos pequenos de cada vez. Por exemplo: no passado eu começava por cortar nos hidratos e me obrigava a correr. Isto funcionava nos primeiros dois dias. Depois caía tudo por terra. Porque era um plano muito ambicioso para mim: amo arroz e massa e odeio correr. Então desta vez, eu me permito comer o arroz ou a massa ao almoço sem exagero. Quando estou neste processo me sinto reconfortada por saber que vou almoçar uma comida que gosto muito, é a minha recompensa diária. Não vou me obrigar a correr. Estou fazendo aulas de danças que há no youtube: tenho a oportunidade de aprender o que sempre quis, me divirto e mexo o corpo.

A segunda etapa, que é uma espécie de muro alto que temos que pular. Estou nesta escalada neste momento. optei pelo jejum intermitente e tenho sentido alguma dificuldade de adaptação. Mas o topo do muro está muito perto para eu desistir. Basta continuar com calma e passinho a passinho.

E como tenho lidado com as emoções? Principal causadora do problema. Me distraindo fazendo outras coisas que gosto… Quando sinto que quero afogar as minhas mágoas na Padaria, eu mudo o foco do meu pensamento e vou ver músicas no youtube. Ou vou tentar escrever um poema. Ou vou tentar desenhar... Com calma e sem pensar no amanhã. Porque o amanhã não existe, só o agora.




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